>> SESSÃO MEMÓRIA
Cinema, Aspirinas e Urubus
Marcelo Gomes, Ficção, 101 min, 2005, DCP, 14 anos, Carnaval Filmes
Dia 26/04, 19h, Cinema da Fundação/Derby
Com audiodescrição, Libras e LSE

Acessibilidade Comunicacional | Audiodescrição – Roteiro e narração: Liliana Tavares; Consultoria: Felipe Monteiro; Libras – Tradução e interpretação: Carlos Di Oliveira; Consultoria: Mirella Cavalcanti; LSE – Legendista: Flávia Machado; Consultoria: Marcelo Pedrosa

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“Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos.
Sem memória não existimos, sem responsabilidade talvez não mereçamos existir.”
José Saramago

O Festival VerOuvindo em sua quinta edição segue a sua bela trajetória com a responsabillidade de produzir outras memórias e ampliar a acessibilidade do cinema realizado no Brasil.

O cinema nos leva a lugares que nunca fomos, novas geografia, distintas realidades. Nos coloca em confornto com o outro, nos afeta com seus personagens, nos confunde com a nossa própria existência. Expõe a vida como ela é e  nos permite compor novas memórias.

Foi nesse encontro entre a força do cinema na busca de compreender outras realidades e no mergulho nas memórias do seu tio avõ, que o cineasta Marcelo Gomes se inspirou para realizar o seu primeiro filme de longa-metragem, Cinema, Aspirinas e Urubus.

A história é ambientada no sertão nordestino dos anos 1940, o espaço serve como palco dos dramas individuais. O calor escaldante, o seu brilho e textura mostram a identidade que se tem o sertão. A narrativa é baseada em dois personagens: Ranulpho, um nordestino que quer fugir da seca; e Johann, um alemão que foge da guerra. Os dois se encontram e seguem juntos pelo interior do Nordeste vendendo aspirinas e projetando pequenos documentários sobre o Brasil e propagandas das aspirinas. O diretor  Marcelo Gomes afirma que: “Eles, independentemente da seca ou da guerra, tentam buscar um caminho para suas próprias vidas”. Neste “caminho” encontram pessoas, passam por dificuldades, descobrem aspectos do mundo e da vida. O resultado da viagem é a transfiguração do mundo dos dois personagens.

Com um desejo de apresentar um olhar diferenciado sobre as experiências individuais de seus personagens, o filme Cinema, Aspirinas e Urubus (Marcelo Gomes, 2005) propõem articulações entre os aspectos de expressão da cultura regional, os quais são traduzidos em olhares distintos sobre o homem, o espaço e o tempo em busca da construção de uma identidade.

O filme teve a sua estreia na Mostra Un Certain Regard no Festival de Cannes em 2005, recebendo o prêmio do Ministério da Educação da França. E recebeu mais de cinquenta prêmios em festivais internacionais, levando o nosso sertão e a nossa identidade para a memória do mundo.

Texto de Amanda Mansur
Curadora do V VerOuvindo

 

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